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Tempestade Kristin: A Resiliência de Leiria em Tempos Difíceis

Sou de Leiria, e ainda estou a tentar arrumar as ideias depois do que vivemos com a tempestade Kristin. Não foi um temporal como os outros. Foi vento. Vento a sério. Vento daqueles que fazem a cidade tremer, que arrancam telhados como se fossem folhas de papel, que nos fazem sentir pequenos, frágeis, quase invisíveis.
Nunca pensei ver a minha terra assim. O barulho era ensurdecedor, um rugido constante, como se o céu estivesse a rasgar-se. As árvores, que sempre fizeram parte da paisagem, tombaram como gigantes cansados. Havia destroços por todo o lado: placas, ramos, telhas, tudo a voar sem rumo. E nós, cá em baixo, a tentar proteger o que dava, a rezar para que nada pior acontecesse.
A pior parte? A impotência. Aquela sensação de olhar pela janela e perceber que não há nada que possas fazer para travar o vento. Nada. Só esperar. Só torcer para que a tua casa aguente, para que ninguém se magoe, para que o dia seguinte chegue depressa.
Mas no meio deste cenário que parecia tirado de um pesadelo, vi algo que me marcou ainda mais do que a destruição: vi o coração de Leiria a bater mais forte do que qualquer rajada de vento.
Vi vizinhos a ajudarem vizinhos, mesmo sem se conhecerem. Vi pessoas a saírem de casa assim que o vento acalmou, não para ver os estragos delas, mas para ver se os outros estavam bem. Vi jovens a limpar ruas, a recolher destroços, a levantar árvores, a apoiar quem estava em choque. Vi bombeiros e equipas de emergência a fazerem o impossível, a correrem de um lado para o outro, a arriscarem-se para proteger todos nós.
E percebi uma coisa que nunca mais vou esquecer: a tempestade Kristin pode ter-nos derrubado, mas não nos quebrou.
Leiria ficou ferida, sim. Mas Leiria é feita de gente que não desiste. Gente que se levanta. Gente que reconstrói. Gente que, mesmo quando o vento leva tudo, mantém o essencial: a humanidade.
Escrevo isto porque quero que o mundo saiba o que vivemos, não para espalhar medo, mas para espalhar verdade. Para mostrar que, mesmo quando a natureza nos vira do avesso, a união consegue ser mais forte do que qualquer rajada.
Leiria vai recuperar. E eu, que estive cá, que senti o vento a bater como se quisesse arrancar o mundo do lugar, posso dizer com orgulho: somos feitos de força, de entreajuda e de uma resiliência que nem a Kristin conseguiu levar.
A Kristin passou, mas a força de Leiria ficou e essa, nenhum vento consegue levar.

— Filipe de Luar

2 responses to “Tempestade Kristin: A Resiliência de Leiria em Tempos Difíceis”

  1. Por vezes, é no meio da adversidade que o ser humano revela o seu melhor lado. Juntos somos mais fortes, essa é a grande verdade.
    Espero que o pior já tenha passada e que, dentro dos possíveis, consigam recuperar.
    Força 😊

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    1. Obrigado.
      Aos poucos vamos regressando a uma nova normalidade

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