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A Criança Dentro de Nós

A realidade actual às vezes parece um daqueles jogos difíceis em que estamos sempre a levar com níveis novos antes de percebermos o anterior. Mas, no meio deste caos todo, há uma coisa que nunca desaparece: a criança que vive dentro de nós.
Sim, essa mesma. A que ria alto sem vergonha. A que acreditava que tudo era possível. A que fazia perguntas sem medo de parecer “parva”. A que sonhava sem limites, sem filtros, sem aquela voz adulta que diz “tem juízo”.
Hoje, crescemos… mas não deixámos de precisar dela. Aliás, precisamos mais do que nunca.
Porque a realidade actual é rápida, barulhenta, exigente. Pede-nos resultados, maturidade, produtividade, responsabilidade. E nós damos. Claro que damos. Mas, às vezes, no meio de tanta pressa, esquecemo-nos de respirar. De sentir. De brincar. De olhar para o mundo com aquele brilho nos olhos que só a nossa versão mini sabia ter.
E a verdade é esta: não há idade para recuperar essa magia. Não há limite para voltar a acreditar no impossível. Não há vergonha nenhuma em admitir que ainda temos dentro de nós alguém que quer correr, criar, imaginar, arriscar, falhar e tentar outra vez.
A criança que existe em nós não é imaturidade. É combustível. É coragem. É criatividade. É o lembrete de que viver não é só cumprir tarefas, é sentir o vento na cara, é rir até doer a barriga, é ficar entusiasmado com coisas pequenas, é acreditar que amanhã pode ser melhor.
Num mundo que nos quer sérios, cansados e ocupados, ser um bocadinho criança é um acto de resistência.
Por isso, hoje, faz-lhe um favor: dá-lhe espaço. Deixa-a falar. Deixa-a brincar. Deixa-a lembrar-te do que realmente importa.
Porque, no fundo, a realidade actual pode ser dura… mas nós continuamos a ter dentro de nós a versão mais pura, mais leve e mais verdadeira de quem somos.
E talvez, só talvez, seja essa a parte que mais vale a pena partilhar.

— Filipe de Luar

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